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Maquila” e Exclusão Tecnológica.

Cresce a freqüência com que manchetes trazem a palavra “maquila”. Como onde há fumaça há fogo ou haverá, é bom prevenir. Iniciar muito rápido a discussão das tendências mundiais, pode desarmar armadilhas futuras. E essa é nossa tarefa como cidadãos do mundo globalizado.
O que significa? Porque começa acontecer? Quais as conseqüências para a economia? Estas e outras perguntas devem ter suas respostas discutidas.
 

Maquila” é o termo espanhol que representa uma operação industrial específica da nova economia globalizada. São unidades industriais de manufatura de produtos pela aplicação de mão de obra local, sobre componentes e matérias primas importadas; com o objetivo de exportação. Ou seja, ingressam no país insumos, peças e componentes que são montados com mão de obra local e devolvidos ao exterior.
 

Tem-se alardeado sobre a verdadeira revolução industrial mexicana , com o advento desta saída econômica. Assistimos a recente autorização do governo brasileiro dado a fabrica paulista da Mercedes , para montar a Classe C com o objetivo único de reexportação. E em última mão no vizinho Paraguai, a aprovação de lei que institui a “maquila” naquele país.
 

O México viu crescer nos últimos anos o número de unidades dedicadas a este fim, injetando parcos dólares em sua economia, absorvendo muita mão de obra pouco qualificada, e reduzindo assim a migração ilegal para os Estados Unidos. Absorver mão de obra parece também ser a preocupação do país limítrofe. O caso brasileiro da Industria paulista, excepcional pois nossa legislação não permite esta operação sem qualquer agregação de valor, foi para preencher a ociosidade daquela unidade, decorrente do fracasso de vendas do seu modelo mais simples.


Como vemos, a “maquila” está associada à ociosidade de mão de obra, conseqüentemente barata e à não agregação de valor. Ou seja quase nada deixa no país, além de empregos. Quase, porque algum treinamento deve ser dado para a montagem dos produtos, quase ao velho estilo fordista.
 

O pesquisador italiano Giovanni Dosi em seu artigo sobre Globalização, Tecnologia e Desenvolvimento, intitulado: Blade Runner: é esse o futuro?, alerta sem terrorismo, para o pesadelo que se aproxima. O filme de ficção de Ridley Scott, retrata uma sociedade futura em que uma minoria high-tech tem cidadania tecnológica, econômica e política, enquanto o resto da população permanece excluído dos mecanismos de formação de riqueza e do processo político.
 

Ocorre que as pesquisa de Dosi apontam para a natureza acumulativa e específica do conhecimento tecnológico. Ou seja, acumulativa porque o conhecimento futuro se desenvolve a partir do atual; e específica porque a habilidade de nadar fará com que o sujeito nade cada vez melhor.
 

Ora, se o design, o protótipo, o planejamento, os cálculos, os projetos, as discussões, o desenvolvimento de novas soluções, novos materiais, enfim toda a tecnologia permanece nos países desenvolvidos e, aos países em desenvolvimento restam os índices de nacionalização para criar algum valor agregado; não se trata pois, da exata separação entre os que hoje nadam e os que não nadam ?
 

O que é isso, senão os primórdios de Blade Runner? E o que são então, as “maquilas” que nem valor agregam, senão a condenação definitiva à exclusão tecnológica e suas conseqüências sociais.
 

Seus defensores, acenam com o treinamento residual dessa mão de obra, que traria qualificações e poderia atrair novas possibilidades de desenvolvimento para a região. Insignificante consolo ao desesperado pragmatismo, que incapaz de ser visionário com o legado às próximas gerações, insiste em adiar investimentos em Educação, Pesquisa e Desenvolvimento.

Miguel Angelo Scotti Curitiba, 9 de outubro de 2000.
Publicado em 10.10.2000 Gazeta Mercantil PR p.2
Publicado em 20.10.2000 Gazeta do Povo p.12
 

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