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Inovação Tecnológica


Um crescente numero de estudos de casos, têm comprovado a correlação existente, entre inovação tecnológica e sucesso em competitividade entre empresas. A inovação se tornou a grande arma na busca da competitividade. Diferenciar continuamente os serviços, encurtar o ciclo de vida dos produtos com novos lançamentos, melhorar e adotar novos processos relevantes em qualidade e custos, e efetivar permanentemente novas alianças; têm se constituído em evidentes fatores de sucesso de empresas bem sucedidas.


Nesta busca, inúmeras empresas têm ensaiado verdadeiros Saltos Quânticos em capacidade tecnológica, e infelizmente têm constatado que eles são mais realizáveis na física do que na economia. Algumas dificuldades são evidentes: como produzir microcomputadores para quem fabrica calçados, por exemplo. Outras, porém são mais sutis; e certamente a compreensão da complexidade e dinâmica do processo de inovação tecnológica, pode auxiliar os tomadores de decisão.


O processo de avanço tecnológico tem uma lógica interna forte que influência a respeito de que demandas inovadoras podem ou não ser conhecidas por uma organização. Doutor pela Universidade de Sussex, Reino Unido e Professor da Universidade de Roma Giovani Dosi conclui, em seu artigo a respeito da Natureza do Processo Inovador em organizações bem sucedidas que:


(i) a direção das mudanças tecnológicas é, freqüentemente, definida pelo “estado da arte” em uso;
(ii) freqüentemente é a natureza das tecnologias que determina o alcance, dentro do qual produtos e processos alavancam mudanças nas condições econômicas; e
(iii) geralmente a probabilidade de fazer avanços tecnológicos em empresas, organizações
e paises, é função do nível tecnológico já alcançado por eles (atividade acumulativa) .
 

Esta nova compreensão do processo de inovação tecnológica alterou os fundamentos da tomada de decisão estratégica nas organizações:


(i) conduziu à consciência de que comportamento e estrutura da organização podem ser moldados.
(ii) enriqueceu a análise das forças que influenciam a taxa e a direção da inovação tecnológica.
(iii) O processo decisório, de inversão de recursos em inovações tecnológicas, ganhou assertividade.
(iv) A direção das mudanças tecnológicas tende a ser facilmente identificada por avenidas onde: o que os usuários/clientes precisam, corresponde ao que os inovadores internos podem lhes assegurar através de mudanças incrementais, com significativo valor agregado.
 

Se por um lado, esta abordagem da inovação tecnológica facilita decisões, reduz riscos de investimentos, confere velocidade e competitividade às organizações, por outro ganha complexidade na medida em que exige plena consciência de suas competências tecnológicas. E não só das atuais, visto que os avanços são função dos níveis tecnológicos já alcançados ; mas de toda a trajetória de acumulação dessas competências ao longo de sua história.


A trajetória de acumulação de competências tecnológicas de uma organização, se constitui no seu código DNA, lhe confere personalidade competitiva e individualidade em suas ações no mercado, é o “jeito de ser da Sony”. Conhecer suas próprias dinâmicas históricas para produtos, processos e integração é, portanto, fundamental para a gestão da inovação tecnológica na direção do permanente diferencial competitivo.


Dosi conclui ainda que inovação tecnológica está ligada a avanços científicos (i) por um lado, e a processos de mercado/oportunidades tecnológicas (ii) de outro.
 

(i) O processo inovador se tornou uma atividade que requer treinamento científico avançado e habilidades especiais de equipes em cooperação no uso de equipamentos caros e dispendiosos.
(ii) O conhecimento da tecnologia predominante e das necessidades do usuário/cliente tendem a se concentrar na empresa, ficando cada dia menos acessível às pessoas não conectadas a ela.

Ora , se é na própria empresa que esses conhecimentos se concentram, de nada lhe serve o amplo conhecimento das competências, se não for acompanhado pelo “como foi feita essa acumulação de competências?”. Como uma organização aprendeu fazer um produto? Como desenvolveu um processo? Como integrou acionistas, colaboradores, fornecedores e clientes para conseguir esses resultados? E novamente: certamente cada empresa terá suas próprias respostas.


Se a trajetória de acumulação de competências de uma organização é seu DNA; seus processos de aprendizagem são seus cromossomos. Ou seja, estes são os responsáveis fundamentais por toda a diferenciação, por todas as variações nas trajetórias de acumulação, e conseqüentemente nas performances operacionais das diferentes organizações.


Miguel Scotti Curitiba, 15/09/2000
Publicado pela Gazeta Mercantil PR em 26.10.2000, pg. 2
 

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