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A Falência do Planejamento Estratégico.

A Ciência da Administração tem sido desafiada de forma contundente, a oferecer explicações a sucessos e fracassos organizacionais, numa velocidade equivalente à dos avanços tecnológicos em informações e comunicações que alicerçam e conduzem o processo de integração econômica global.

A aceleração desenvolvida pela sinergia decorrente dessa integração, abalou de forma definitiva um dos principais fundamentos da Administração. Mudança e inovação, continuadas, tornaram o Planejamento Estratégico, ferramenta absolutamente incapaz de auxiliar as organizações em suas demandas por velocidade e flexibilidade. Ao contrário, tornou-se fonte de rigidez, tal como ocorreu com as estruturas hierárquicas tradicionais.

É comum, executivos deixarem de ousar rápidas experiências com novos serviços/produtos ou processos porque estas não estão no seu “budget”, e com isso gentilmente cederem a vez ao concorrente mais flexível.


No pensamento ocidental, estratégia sempre esteve associada a um grande plano concebido sobre a mesa por especialistas sediados na alta cúpula, de onde emanavam todas as verdades para o futuro, e quando assim não ocorresse, deveriam ser convocados para rever e refazer todo o planejamento, num infindável processo de adaptar o plano à realidade , visando mais aquele do que esta. Além disso, estratégia por muito tempo derivou da concepção militar do “como esmagar o inimigo?”, e concentrou-se fundamentalmente na concorrência; numa exploração de pontos fracos por pontos fortes, numa disputa por posições seguras e estáveis.


Porém, os entusiastas do planejamento estratégico, observaram que os mais contundentes ataques passaram a vir não dos concorrentes, mas de outras indústrias que aproveitavam competências específicas e sinergias internas e ingressavam em novos mercados, como a Canon e sua mini-copiadora, num ataque ao mercado da Xerox. Situação absolutamente inusitada no cenário do planejamento.
 

Com o advento da absoluta imprevisibilidade dos mercados veio a desmistificação do Planejamento Estratégico, e com ela a visão de Construção Estratégica. Uma visão de acumulação diária de conhecimentos, que possibilita, não a confecção de planos para o futuro, mas a adaptação diária e contínua da organização ao ambiente em mutação, através da participação de todos: a Gestão Estratégica.


É esta acumulação de conhecimentos que se transformam em competências específicas, a partir das quais podem as organizações, criar e sustentar diferenciais competitivos, e com eles acelerar o processo de antecipação do futuro. Inúmeras evidências empíricas têm demonstrado, que o conhecimento específico da tecnologia predominante e das necessidades do usuário/cliente tende a estar concentrado na própria empresa.
 

Com base nesta constatação, cientistas e pesquisadores apoiados nos conceitos de evolução organizacional e incrementalismo, têm encontrado, na dinâmica histórica de acumulação de competências destas organizações, explicações para diferentes performances entre elas ao longo do tempo. Ou seja, capacidades diferentes de acumular e transformar conhecimentos em competências, implicam em performances finais diferentes, entre diferentes empresas da mesma Indústria, submetidas à mesma Macroeconomia.
 

A dinâmica que sustenta o desenvolvimento destas competências, tem se constituído na substância de inúmeros trabalhos científicos. Estes têm apontado, demonstrado e aceito o conhecimento organizacional como pedra fundamental desta dinâmica alimentada pelo aprendizado organizacional. Com base nestes, modelos de análise da relação Aprendizagem/Acumulação Tecnológica/Performance, têm sido desenvolvidos, e contribuem para a Construção Estratégica do futuro organizacional.


Desta forma torna-se estratégica , a gestão do aprendizado organizacional com foco na obtenção de altas taxas de desenvolvimento e acumulação de competências específicas, que possibilitem à empresa criar e manter diferenciais competitivos que se reflitam em performance.
 

Miguel A. Scotti , Artigo escrito para Gazeta Mercantil  em Curitiba, 13 de setembro de 2000
Publicado em 15/09/2000 GM-PR p.2
 

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